Neste fim de mês de julho, em que muitos de nós já estamos a nos desconectar de nossas rotinas e vidas académicas, desafiamos-te a desbravar um pouco a vida dos santos – homens que viveram vidas muitas vezes ordinárias, porém de forma extraordinária. Mesmo pecadores, como nós, não desistiram de corresponder à vontade de Deus. Todos nos deixaram seu testemunho, em sua época e contexto em que viveram, de que o caminho exigido pela santidade é árduo mas muito belo – uma verdadeira aventura de amor. E qual é a bela aventura que não pode dar lugar a um belo roteiro? Há uma lista infindável de filmes que contam essas aventuras e que podemos encontrar no Youtube, por exemplo. Deles, há muito boas produções que foram feitas recentemente, como a que retrata a vida de Santo Inácio de Loyola de que falamos aqui. Entretanto, alguns são mais antigos e não foram de imenso sucesso no cinema. De qualquer forma, sabemos que os personagens de suas histórias são hoje os ganhadores do melhor prémio – o troféu da vida eterna, e por isso merecem nosso interesse.
Fica hoje a sugestão de te aproximares um pouco da trajetória de vida e de conversão de um dos santos que deixou marcas profundas na história da Igreja: São Francisco de Assis. Há vários filmes que o trazem como personagem, um deles é o “Francisco e Clara”.
Nesse exemplo o enredo nos leva a conhecer como sua forma de viver o Evangelho influenciou os caminhos de Santa Clara. Trazemos-te aqui uma das músicas da banda sonora – Laudato si’ mi Signore (Louvado sejas, meu Senhor), escrita baseada no “Cântico das Criaturas”, que Francisco escreveu quase moribundo, entre os anos de 1225 e 1226. “Até ao fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação. A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta no palácio episcopal de Assis para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil.”1
A autoria da música é de Monsenhor Marco Frisina. Italiano, Frisina teve formação em composição, além de sua formação teológica e nas Sagradas Escrituras. Hoje ele dirige o Coro da Diocese de Roma (do qual é fundador), exerce suas funções como sacerdote, é professor na Pontificia Università della Santa Croce e noPontificio Istituto di Musica Sacra. Na sua lista de obras, tem mais de trinta Oratórios Sagrados inspirados em personagens bíblicos ou na vida de grandes santos. Um hino seu que ficou muito conhecido nas Jornadas Mundiais da Juventude é o Jesus Christ, You Are My Life.
Cântico das Criaturas – São Francisco de Assis
“Altíssimo, Omnitpotente, Bom senhor!
Teus são o louvor, a glória, a honra e a bênção.
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão sol, que clareia o dia
e que com a sua luz nos ilumina.
Ele é belo e radiante, com grande esplendor;
de ti, Altíssimo. é a imagem.
Louvado sejas meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, pelo ar
e pelas nuvens, pelo entardecer e por todo o tempo com
que dás sustento às tuas criaturas.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, útil e
humilde, preciosa e pura.
Louvado sejas, meu senhor, pelo irmão fogo, com o qual
iluminas a noite. É belo e alegre, vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa, produz frutos diversos.
flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam, pelo teu
amor, e suportam as doenças e tribulações.
Louvai todos e bendizei ao meu Senhor,
dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.”
- Citação extraída de: https://blog.cancaonova.com/diariodeumconsagrado/2014/10/04/4568/.