Por Ricardo Oliveira

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Baby Driver (2017) é uma experiência inovadora e refrescante, que trabalha de forma magistral a montagem em conjunto com a banda sonora, sendo não só divertido e engraçado como também a demonstração de como um filme bem trabalhado pode tornar conceitos e roteiros simples em filmes incríveis.

A história acompanha Baby, um exímio motorista de fuga, que possui uma dívida com um criminoso e procura largar essa vida, tendo que para isso realizar um último trabalho para deixar essa vida para trás. Baby possui uma deficiência auditiva obtida na infância que o faz escutar um apito desconfortável e ininterrupto. Para aliviar esse incómodo ele se utiliza da música, estando sempre a escutar alguma coisa em suas atividades.

Essa temática é bastante recorrente no cinema, o que o torna propenso a ser um filme previsível e completamente comum. O grande diferencial não está na história contada (roteiro) mas em como ela é apresentada.

A direção é de Edgar Wright, que também é seu escritor e que faz um trabalho primoroso nos quesitos técnicos do filme.

Como Baby está sempre a escutar músicas em seu iPod, constantemente o som alterna entre a banda sonora do filme propriamente dita e o que o personagem está escutando, criando-se assim uma atmosfera imersiva para o espectador que entra naquele ambiente de ação. Aliado a isso, a edição e a montagem fazem com que as ações estejam em sincronia com a música a ser tocada, com sons como a mudança de marchas, socos e barulhos de motores se encaixando na música como se fossem instrumentos musicais da mesma. A própria ideia do nome do filme é tirada de uma canção (Baby Driver – Simon & Garfunkel), reproduzida durante seus créditos.

As músicas escolhidas casam perfeitamente com cada momento do filme, muitas vezes se tem a impressão de que se está a assistir a um vídeo-clip feito especialmente para elas, tamanha é a sincronia. Apesar das 30 faixas apresentadas na sua banda sonora, Baby Driver só possui 3 canções originais, sendo uma delas um cover da música Easy (Commodores) interpretado por Sky Ferreira.

Para se obter o efeito de sincronia entre música e ação são utilizados muitos cortes e planos no geral mais curtos. Essa escolha, comum em filmes de ação, geralmente é prejudicial ao filme, pois dificulta a compreensão do espectador, além de ser um recurso que é preguiçoso e usado a exaustão em muitos filmes. Nesse caso o efeito é exatamente o oposto, esses cortes, como sincronizados com a banda sonora, junto com enquadramentos bem escolhidos pelo diretor só tornam a experiência do filme única e diferentes de outros exemplos do gênero. Um bom exemplo é na cena de abertura, com a canção Bellbottoms (Jon Spencer Blues Explosion).

Baby Driver venceu o prêmio de Melhor Banda Sonora do Empire Awards e também concorreu a três Oscars, em Melhor Edição, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem. Além disso, consegue ser um filme técnico, divertido e diferente, mesmo abordando uma história vulgar e se utilizando de personagens muitas vezes genéricos e rasos. Uma abordagem interessante a um tema que em si só não tem nada especial.