Os Três Pastorinhos[1]
Lúcia, Francisco e Jacinta foram três crianças cujas vidas eram bastante simples até Nossa Senhora lhes ter aparecido, por seis vezes, em 1917, entrando para a História da Igreja Católica, mas também da Humanidade. Os irmãos Francisco e Jacinta Marto foram canonizados, em 2017, em Fátima, aquando da celebração do centenário das Aparições.

A infância dos Pastorinhos
Francisco e Jacinta eram naturais de Aljustrel e nasceram em 1908 e 1910, respetivamente. Os dois irmãos foram crescendo no seio de uma família devota e tinham duas personalidades muito diferentes: Jacinta era muito alegre e gostava de dançar e brincar, mas amuava facilmente; por sua vez, Francisco era calmo, gostava de cantar, de animais, de viver em paz com todos e não se importava de perder nas suas brincadeiras.
As duas crianças gostavam muito da sua prima Lúcia, que vivia perto deles e acompanhavam-na quando esta ia guardar o rebanho. Todos os dias, depois de lancharem, rezavam o terço como as suas mães lhes indicavam, mas a correr para irem brincar. No entanto, desde sempre aprenderam a amar a Deus e tinham um grande carinho por Jesus Cristo.
Com o Anjo de Portugal
Antes das visitas de Nossa Senhora, os três pequeninos anjos da terra – Lúcia, Francisco e Jacinta – foram visitados pelos Anjos do Céu, como forma de preparação. Nas aparições do Anjo de Portugal, este ensinou aos pastorinhos orações, dizendo-lhes “Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas” e disse-lhes também para oferecerem sacrifícios para a reparação dos pecados e para a conversão dos pecadores. Na terceira e última aparição, o Anjo trazia nas mãos um cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíram gotas de sangue: deu a Sagrada Hóstia à Lúcia e o Sangue do Cálice ao Francisco e à Jacinta.
As visitas da “Senhora mais brilhante que o Sol”
Desde maio a outubro, nos dias 13, Nossa Senhora apareceu às três crianças, deixando-lhes vários pedidos e mensagens: pedia-lhes frequentemente que rezassem “o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer” e que oferecessem sacríficos pela conversão e salvação dos pecadores.
Das três crianças, apenas Lúcia conseguia ver, ouvir e falar com Nossa Senhora, Jacinta podia ver e ouvir e Francisco podia apenas ver. Por isto, Lúcia teve como missão divulgar a Mensagem de Fátima e a devoção ao Imaculado Coração de Maria, deixando vários registos sobre as Aparições de 1917 – “Memórias da Irmã Lúcia”.
Após a primeira Aparição, apesar das recomendações da Lúcia para não contarem a ninguém, Jacinta não foi capaz de guardar segredo e contou à sua família. Rapidamente a notícia se espalhou e, desde então, os primos passaram a ser perseguidos e chegaram a ser presos. Aos pastorinhos foram feitas promessas e ameaças numa tentativa que lhes contassem o segredo, mas tudo enfrentaram com coragem, sem revelar nem negar o que tinham visto.
As Aparições acabaram com o milagre prometido, para que todos acreditassem: “Abrindo as mãos, fê-las refletir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projetar-se no sol. (…) Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul”.
Numa das suas aparições, a Santíssima Virgem pediu que fosse contruída uma capela em honra a Nossa Senhora do Rosário, que ficou conhecida como Capelinha das Aparições. Este é um local de peregrinação, sendo visitado por milhares de pessoas diariamente.

Nos braços da Mãe Celeste
Após as visitas de Nossa Senhora, Francisco passava muito tempo diante do Sacrário, vivendo intensamente a oração contemplativa, e Jacinta dizia muita vezes, na sua simplicidade, “Gosto tanto do Coração Imaculado de Maria! É o coração da nossa mãezinha do céu!”.
Jacinta e Francisco morreram pouco depois, vítimas da gripe espanhola, tal como Nossa Senhora lhes tinha anunciado: «a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu [Lúcia] ficas cá mais algum tempo». Lúcia, por sua vez, seguiu uma vida retirada do mundo que a levou às Irmãs Doroteias, em Espanha, aos 15 anos de idade, e, mais tarde, à clausura do Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra. Faleceu em 2005, com 97 anos.
Beatificação e Canonização
A 13 de maio de 2000, em Fátima, Francisco e Jacinta Marto foram beatificados por João Paulo II, que os apresenta à Igreja e ao mundo como «duas candeias que Deus acendeu para iluminar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas». Dezassete anos depois, na mesma data, o Papa Francisco realizou a canonização dos irmãos, fazendo deles os santos não-mártires mais novos.
A festa litúrgica de Francisco e Jacinta, apenas a nível da diocese de Leiria-Fátima, ocorre a 20 de fevereiro, dia da morte de Jacinta.
[1] https://www.papa2017.fatima.pt/pt/pages/pastorinhos
Memórias da Irmã Lúcia