Uma ode ao amor pela vida
Por Eduardo Lima
O Castelo Andante é um filme de animação japonês de 2004 da autoria de Hayao Miyazaki e animado pelo Studio Ghibli. Nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação, é baseado nas personagens do livro homónimo de 1986.

Neste filme, entramos num universo mágico muito próprio e característico do seu autor. A linha entre a realidade e a ficção é por vezes tão maleável que nos faz render completamente a esta história.
Entre muitas temáticas e interpretações, esta incontornável obra animada é essencialmente uma história de amor. Sophie, a personagem principal, é a melhor personificação deste sentimento. Em praticamente todas as suas ações no decorrer da narrativa estão presentes gestos de amor. Até no pior dos momentos, ela demonstra compaixão pelo seu inimigo (um pouco de encontro ao que nos dizia Mt 5, 38-42 na leitura da passada segunda-feira: “(…) se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda.”).
Outro tema também relacionado com o amor é o envelhecimento e não desistir de viver. Certamente todos nós tivemos e temos dúvidas vezes sem conta durante estes tempos mais sombrios em como será a nossa vida daqui para a frente, tal como muitas personagens durante o filme tinham vontade de desistir perante cenários de guerra e terror. Porém, haverá sempre um motivo, um algo ou alguém que nos faça erguer novamente e nos tire do fundo do poço. Afinal, a vida não é melhor se for vivida em conjunto?
Uma das melhores características deste filme é sem dúvida a banda sonora da autoria de Joe Hisaishi. Na sua música, o compositor tem presente a tradição japonesa aplicando muitas vezes harmonias de cariz oriental que dialogam com sonoridades mais modernas oriundas de universos como o jazz e a música impressionista.
Fugindo um pouco ao que se tem assumido como regra, decidi não partilhar somente o conhecidíssimo tema principal desta magnífica banda sonora: “The Marry-Go-Round of Life” ou O Carrossel da Vida. Assim, escolhi apresentar esta esplêndida fantasia sinfónica para banda da autoria de Yo Goto. Como indica o mesmo, esta obra decide captar o melhor da banda sonora original transportando-a para uma sonoridade própria de uma orquestra de sopros e percussão de forma a que todos os instrumentos contribuam para um conjunto cheio de vida e cor.