Por Lourenço Ribeiro

Forrest Gump é um clássico do cinema mundial, com uma mensagem sempre atual que enfatiza e encoraja-nos a seguir valores como a humildade, a paciência, o amor puro e desprovido de interesse e a resiliência, numa época em que somos incentivados a ver a vida de uma varanda, presos a prazeres efémeros e sem espírito de sacrifício. O filme, protagonizado por Tom Hanks, foi apresentado em 1994 baseado no livro com o mesmo nome de Winston Groom, e dirigido por Robert Zemeckis.

Esta longa metragem convida-nos a conhecer a vida e o percurso de Forrest, a personagem principal, contada pelo próprio, numa paragem de autocarros, a quem se senta ao seu lado. Uma pena branca abre o filme, e é seguido o seu rasto até pousar na paragem onde Forrest Gump está sentado.

Desde o início, com a primeira memória que a personagem nos apresenta, percebemos que se trata de uma pessoa com um percurso diferente, dificultado pelo seu défice de QI e limitação motora, mas que nunca se tornam fatores que o tivessem afastado do sucesso. Sem grande consciência, Forrest, consegue grandes feitos apesar das suas limitações e dos desincentivos que ouve, desde conseguir uma bolsa por se tornar uma estrela no futebol americano universitário, a se tornar um herói no exército por não deixar nenhum dos seus camaradas e guerra para trás. O cinismo e as relações por interesse são coisas que não existem para Forrest; tudo na vida é tão óbvio como parece, e é precisamente essa inocência e verdade que me inspiram nesta história. 

O amor genuíno por Jenny, sua amiga de infância, é motivo de admiração. Ao contrário de Forrest, Jenny optou por um estilo de vida alternativo, mundano, presa aos prazeres vazios da vida, acabando por ter um percurso infeliz e sem grandes conquistas. Apesar da distância, esse sentimento por parte do protagonista, nunca morreu. Forrest amou Jenny com toda a pureza do mundo, sem julgamentos, sem interesses, sem aprisionamentos, até que se tornou recíproco, acabando por gerar fruto, e existindo amor até ao dia da morte de Jenny.

As 32 músicas que fazem parte da banda sonora do filme já existiam anteriormente, sendo que o único tema escrito exclusivamente para o filme, escrito e dirigido por Alan Silvestri, é tocado na abertura do filme, na cena da pena branca que referi anteriormente. Inicia-se com o tema tocado no piano com um acompanhamento orquestral que se desenvolve e apresenta temas bastante distintos, mas que caracterizam bem a pureza de sentimentos e inocência quase infantil do protagonista. 

Tentemos ser como Forrest Gump, que aceita o que a vida nos dá como a caixa de chocolates do início do filme (“My momma always said, “Life was like a box of chocolates. You never know what you’re gonna get.”). Que consigamos amar desinteressadamente o próximo, e que ao nosso passo cheguemos longe, tendo a humildade como valor regente daquilo que somos.

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