É muito provável que já tenhas escutado em algum momento de tua vida a voz do tenor italiano Andrea Bocelli. Suas canções e interpretações de óperas de árias são reputadas mundialmente. Menos conhecida, porém, é a trajetória individual que o cantor percorreu, desde Lajatico – cidade italiana em que nasceu – até se tornar um dos fenômenos musicais mais surpreendentes dos últimos anos. É esse caminho, feito de lutas e vitórias, que o CUFC te desafia a conhecer no filme “A música do silêncio” (2017), de Michael Radford.

O filme baseia-se no livro de mesmo nome, publicado em 1999 e escrito pelo próprio Andrea – um diário íntimo em registro de terceira pessoa. Mas afinal, o que revela a música do silêncio? Que música será essa? Como a própria descrição da autobiografia nos revela, será “a voz do mundo interior de um personagem cuja sensibilidade torna atraente cada reflexão e preciosa cada confidência.”
Embaixador da Tradição Musical Italiana, Bocelli tem se apresentado ao lado dos maiores artistas do panorama musical, nos palcos dos principais teatros do mundo; suas apresentações, juntamente à fama originada por uma carreira discográfica sem precedentes, lhe valeram a estrela sobre a celebre “Calçada da Fama” em Hollywood, Califórnia.1
Deixamos-te cá com um trecho do “Brindisi” (Libiamo ne’lieti calici) do acto 1 da ópera de Giuseppe Verdi “La traviata”. O termo Brindisi, apesar de ser italiano, deriva de uma antiga frase alemã, (ich) bringe dir’s – “eu ofereço a ti”. Muito usado na ópera, neste excerto musical um personagem introduz um brinde com uma melodia solo e o grupo completo depois se junta ao refrão. Vale ressaltar que Verdi, compositor do período romântico italiano, foi considerado em sua época o maior compositor nacionalista da Itália, assim como Richard Wagner era na Alemanha. No filme, a parte orquestral do Brindisi é arranjada para o piano, e desta vez podemos perceber que o “brinde” não se dá a partir dos personagens da ópera, como é de costume, mas sim pelo público. Sequer temos nessa altura uma sala de concerto estimada, mas sim um bar, já que foi nesse tipo de ambiente que o cantor muito esteve presente no início de sua carreira.