Via Lucis

2 leitores (L1 e L2) + o presidente (P)

Cântico  – Surrexit Dominus Vere

Surrexit Dominus vere,

Alleluia, alleluia

Surrexit Christus hodie,

Alleluia, alleluia

Surrexit Dominus vere,

Alleluia, alleluia

Surrexit Christus hodie,

Alleluia, alleluia

Surrexit Dominus vere,

Alleluia, alleluia

Surrexit Christus hodie,

Alleluia, alleluia

Introdução

L1– Aqui estamos, mais uma vez reunidos juntos em comunidade CUFC, alguns aqui fisicamente na nossa capela, mas todos na “capela do coração de Deus”. Muitos de nós reiniciámos as aulas e os trabalhos da Universidade – confiamos ao Senhor o nosso esforço, trabalho e dedicação. 

Hoje iremos meditar a Via Lucis… muitos com certeza conhecemos e até meditámos durante a Quaresma a Via Sacra. A Via Lucis é a sua continuação. Começando onde a Via Sacra terminou, caminhamos com Jesus e os Discípulos nos dias a seguir à Ressurreição.

L2– Imaginemos viver a noite de Sábado Santo. Vamo-nos sentir como os discípulos de Jesus: isolados, apavorados, desiludidos, atormentados por duvidas. Jesus morreu. Acabou tudo? 

L1– Não. Algo acontecerá esta noite.

L2- Como os amigos de Jesus, nós também reviveremos, passo após passo, os grandes acontecimentos daqueles dias maravilhosos. Reviver não significa fingir. Preparemo-nos para sentir profundamente o estupor da passagem da incerteza à certeza, do medo à coragem, das hesitações à fé́.

P– Primeira Estação

– A Ressurreição

 L1– Do evangelho segundo Mateus (Mt 28,1-6a.8)

Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro. Nisto, houve um grande terramoto: o anjo do Senhor, descendo do Céu, aproximou-se e removeu a pedra, sentando-se sobre ela. O seu especto era como o de um relâmpago; e a sua túnica, branca como a neve. Os guardas, com medo dele, puseram-se a tremer e ficaram como mortos. Mas o anjo tomou a palavra e disse às mulheres:

«Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito.

Afastando-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e de grande alegria, as mulheres correram a dar a notícia aos discípulos.

L2– Os poderosos da terra acreditavam ter escrito a palavra fim na história de Jesus de Nazaré. De ter-lhe, definitivamente, colocado uma pedra em cima. Contudo, aquilo, era só o início. Não se pode parar Deus. Assim como não se pode parar a alvorada. Não podemos fechar num sepulcro o Criador da Vida. A vida rasgou as trevas da morte para sempre. “Não tenham medo”, disse o anjo. Nós não nunca mais teremos medo. Não é só um novo dia que começou: é o despertar de um mundo novo. E nós nunca mais teremos medo. Nunca mais…

P- Senhor, vencestes as trevas da morte e do pecado.

Todos– Somos as testemunhas de uma nova alvorada.

P- Sepultada a tristeza, explodirá a felicidade.

T- Somos as testemunhas de uma nova alvorada.

P- Jesus deu início à festa da vida.

T- Somos as testemunhas de uma nova alvorada.

P- Segunda Estação

– O Sepulcro vazio

 L1– Do evangelho segundo João (Jo 20,3-8)

Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer.

L2– É como se no sepulcro tivesse acontecido uma explosão. Jesus não está lá: o sepulcro está vazio. Não é mais um lugar de morte: é uma porta aberta. Não é mais um lugar que se fecha: é uma fresta aberta na espessura do tempo e da história. Também com os apóstolos, há como que uma explosão que faz voar em fragmentos aquilo que os impedia de compreender que Jesus era, na verdade, Deus que veio viver e morrer como um homem. Eles têm certeza, a prova está sob seus olhos: não é necessário procurar entre os mortos Aquele que está Vivo. Ele despedaçou as fechaduras do sepulcro como se despedaçam as grades de uma cela. É possível encontrar encarcerado num túmulo Aquele que é mais forte que a própria morte?

P- Senhor, abristes um caminho na história dos homens. 

T–  Há́ uma fresta para ir à luz.

P- Não podemos mais justificar a miséria, a violência, a exploração.

T- Há uma fresta para ir à luz.

P- Não podemos desperdiçar, dispersar, deturpar mais os talentos. 

T-  Há uma fresta para ir à luz.

P- Terceira Estação

– Vi o Senhor!

 L1– Do evangelho segundo João (Jo 20,11-16)

Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»

Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» 16Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» – que quer dizer: «Mestre!»

L2– Maria Madalena dedicou a sua vida a Jesus; esteve a seu lado durante a pregação e durante a Paixão. Continua a procurá-Lo, não desiste. Vê o sepulcro vazio, vê até mesmo Jesus, mas não alcança a fé: é como se tivesse uma venda nos seus olhos e no seu coração. Mas Jesus chama-a pelo nome: “Maria” e ela vê e entende. Jesus chama pelo nome. Procura os seus, um a um. No batismo recebemos um nome, o nosso nome. E o primeiro a pronunciá-lo foi Deus. Ele continua a chamar-nos pelo nome, para que, como Maria Madalena, também nós nos tornemos apóstolos para anunciar aos outros aquilo que vimos e ouvimos.

P- Dizem: Para que serve a catequese? É melhor estudar e ir para a noite. 

T– Vós nos chamastes pelo nome, Senhor.

P- Dizem: Para que serve a oração? É reservada aos fracos. 

T– Vós nos chamastes pelo nome, Senhor.

P- Vós escolhestes cada um de nós para sermos teus amigos.

T– Vós nos chamastes pelo nome, Senhor.

P- Quarta Estação

– Durante o caminho

L1– Do evangelho segundo Lucas (Lc 24,13-19.25-27)

Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer. Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» 

Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. 

L2– Há uma estrada que vai de Jerusalém a Emaús. Nela caminham dois homens profundamente desiludidos. Jesus, aquele que havia correspondido a todas as suas esperanças, fora crucificado como um criminoso. Não têm a mínima intuição de que Jesus possa ter ressuscitado, porque não o esperam. Aquele caminho é como o nosso caminho hoje. Um caminho pelo qual homens e mulheres correm para acumular coisas, fechados na própria ilusão. Mas, neste caminho, no meio dos homens, anda um desconhecido. Uma presença discreta, que procura explicar o segredo da vida. Saberemos reconhecê-Lo?

P- Iluminai aqueles que não crêem: vós sois a Luz.

T– Caminhai connosco no caminho da vida, Senhor.

P- Consolai aqueles que sofrem: vós sois a Paz.

T- Caminhai connosco no caminho da vida, Senhor. 

P- Quinta Estação

-A Refeição de Emaús

 L1– Do evangelho segundo Lucas (Lc 24,28-33)

Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros.

L2- Como é que se faz para reconhecer Jesus? É tão silenciosa e frágil a Sua presença. Mas Ele deixou-nos alguns sinais. O sinal da Palavra: quando Jesus fala, os dois discípulos de Emaús sentem como que se houvesse um fogo que arde dentro deles. O sinal do Pão: quando Jesus o abençoa e o reparte, os dois discípulos reconhecem-nO. O Evangelho e a Eucaristia são os nossos grandes sinais do caminho. Não podemos perder-nos se os seguirmos.

P- A Eucaristia é o mistério do encontro com Deus e com os irmãos.

T– É o vosso pão que nos nutre, Senhor.

P– A Eucaristia é o mistério da vida doada.

T- É o vosso pão que nos nutre, Senhor.

P– A Eucaristia é o mistério de uma lembrança imortal. 

T– É o vosso pão que nos nutre, Senhor.

P- Sexta Estação

No Cenáculo

 L1– Do evangelho segundo Lucas (Lc 24,36-43.45-48)

Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?» Deram-lhe um bocado de peixe assado; e, tomando-o, comeu diante deles.

Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes:
«Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas.

L2– Os apóstolos fecharam a porta com um cadeado. Temem ser presos. Não crêem na história das mulheres. De repente, quando menos esperam, eis Jesus presente no meio deles. Uma ilusão? Jesus estende as mãos e com seus olhos vêem as feridas feitas pelos pregos. Tocam-no com Suas mãos e com os seus ouvidos escutam a Sua voz que diz: “A paz esteja convosco“. Neles, então, é como que se rompesse um véu e uma felicidade imensa os preenche, semelhante a uma corrente que rompe as barreiras. É Ele. E eles estão certos: Jesus saiu do sepulcro. Manteve Sua promessa. Voltou do terra da morte e está vivo. Não é uma ilusão. É realidade! Agora aqueles homens estão prontos para dar a vida, para testemunhar que viram, sentiram e tocaram Jesus Vivo e Ressuscitado!

P– Somente Vós sois a Verdade que dá sentido a tudo. 

T– Nós cremos, Senhor.

P- Somente vós sois a Vida plena e gloriosa.

T- Nós cremos, Senhor.

P- Sétima Estação

– A Reconciliação

 L1– Do evangelho segundo João (Jo 20,19-23)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. 23*Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»

L2– Jesus aproxima-se dos discípulos ainda cheios de medo e sopra sobre cada um. É um sopro de vida, um sopro de frescura, um novo ar que passa sobre eles. É como que se Jesus dissesse: “Eu vos dou o meu sopro de vida, o Espírito Santo. É o sopro da vida de Deus. Ele vos impelirá para os caminhos do mundo para levar a Boa Nova“. E a primeira boa notícia é esta: os discípulos serão os portadores do perdão de Deus. 

Os amigos de Jesus não podem viver no medo: devem partir. O sopro de Jesus os impele, como veleiros para o mar aberto.

P- Para nos libertar da prisão do egoísmo. 

T- Vós nos dais força, Senhor.

P- Para libertar as nossas capacidades ocultas e escondidas.

T- Vós nos dais força, Senhor.

P- Para dizer com coragem a boa notícia que vem de Ti. 

T- Vós nos dais força, Senhor.

P-Oitava Estação

Com Tomé

 L1- Do evangelho segundo João (Jo 20,24-29)

Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»

L2- Quando os amigos de Tomé lhe disseram que viram, com seus próprios olhos, Jesus vivo, ele abana a cabeça com ironia e diz: “quero tocá-Lo e vê- Lo, antes de crê-Lo vivo!”. Impossível! São mentiras! Onde estão as provas? Para crer é preciso ver e tocar com a mão aquilo que se vê. Quantos repetem isto ainda hoje. Tomé acreditou quando Jesus falou com ele. Não foram as mãos, mas a mente e o coração abertos à palavra de Jesus que ajudaram a sua fé. Não é possível ver o sol se se mantêm as portas obstinadamente fechadas. Cabe-nos a nós ajudar os nossos amigos a abrirem a mente à luz da fé.

P- Não são os documentos e as provas que dão a fé.

T– A nossa mente e o nosso coração estão abertos à vossa palavra, Senhor.

P- É impossível crer sem procurar com sinceridade.

T- A nossa mente e o nosso coração estão abertos à vossa palavra, Senhor.

P- Nona Estação

– A Pesca prodigiosa

 L1– Do evangelho segundo João (Jo 21,1-6.9-13)

Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar. 

Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 

L2– Os amigos de Jesus voltaram ao trabalho. Para o trabalho duro dos pescadores. Trabalharam durante toda a noite, mas de manhã a rede estava vazia. Todo o trabalho, todos os esforços e tentativas não serviram para nada. Mas bastou a presença e a palavra de Jesus para tudo mudar e o trabalho transformou-se em milagre. Fadigas, esforços e tensões acompanham a nossa vida de todos os dias. Há quem o faça pelo sucesso, outros pelo dinheiro e outros ainda porque são obrigados. 

Mas só Jesus pode transformar cansaço e esforço humanos num milagre. Uma pergunta ficou para sempre no coração da humanidade: “De que serve ganhar o mundo inteiro se depois ele perde a alma?”.

P- Somente vós, Senhor, dais um sentido ao trabalho humano.

T- Convosco construiremos um mundo novo.

P- Ajudai quem trabalha no amor e na justiça.

T- Convosco construiremos um mundo novo.

P- Abençoai quem trabalha para o nosso pão quotidiano. 

T- Convosco construiremos um mundo novo.

P- Décima Estação

– Pedro, o guia

L1- Do evangelho segundo João (Jo 21,15-19)

Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: ‘Tu és deveras meu amigo?’ Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

L2- Simão tinha o rosto dos pescadores da Galileia – queimado pelo sol – as mãos calejadas e um ar sólido de quem nada teme. Um dia Jesus olhou Simão Pedro como só Ele sabia fazer, com os olhos que sorriam até o fundo da alma. Esse olhar, Simão, já mais os esquecerá. A sua vida estará para sempre ligada a Jesus de Nazaré. “Simão”, disse um dia Jesus, ” Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela” (Mt 16, 18). E noutra vez disse-lhe: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos” (Lc 22, 32). E agora, antes de deixar visualmente a terra, Jesus sabe deixar a sua Igreja, o seu pequeno rebanho, em boas mãos. As mãos sólidas de Simão, chamado a pedra. 

P- Obrigado, Senhor, por aqueles que de apóstolos e que nós chamamos bispos.

T- Vós nos confiastes a uma Rocha.

P- Obrigado por aquele homem que vós chamastes de Pedro, e nós o chamamos Papa.

T- Vós nos confiastes a uma Rocha. 

P- Obrigado por nos chamares à tua Igreja confiada a Pedro.

T- Vós nos confiastes a uma Rocha.

P- Décima Primeira Estação

– A Missão Apostólica

L1– Do evangelho segundo Mateus (Mt 28,16-20)

Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam. Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes:

«Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»

L2– Jesus marcou um encontro com os Seus amigos, o último, num monte da Galileia. Jesus quer que os Seus amigos entendam bem a importância do momento: aquele monte é como o Sinai, a montanha onde Deus se encontrou com os profetas. Agora, Jesus manda os profetas do novo mundo: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos“. A alguns tremeram as pernas. Mas Jesus acrescentou: “ Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos “. Ninguém, nem mesmo a morte, segurará aqueles homens. Ainda hoje caminham, porque outros tomaram o lugar deles. Século após século. E Jesus caminha com eles. Até o fim do mundo.

P- Fazei-nos instrumento da vossa Palavra, mensageiros da vossa bondade. 

T- Fazei-nos sentir enviados Senhor.

P- Dai-nos a fé para ousarmos o impossível. 

T- Fazei-nos sentir enviados Senhor.

P- Dai-nos amor para aquilo que fazemos e humildade para agir em Vosso Nome.

T- Fazei-nos sentir enviados Senhor.

P- Décima Segunda Estação

– O Regresso ao Pai

 L1- Dos atos dos Apóstolos (At 1,6-11)

Estavam todos reunidos, quando lhe perguntaram: «Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?» Respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade. Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.» Dito isto, elevou-se à vista deles e uma nuvem subtraiu-o a seus olhos. E como estavam com os olhos fixos no céu, para onde Jesus se afastava, surgiram de repente dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: «Homens da Galileia, porque estais assim a olhar para o céu? Esse Jesus que vos foi arrebatado para o Céu virá da mesma maneira, como agora o vistes partir para o Céu.»

L2- Com o coração apertado pela infinita tristeza do adeus, os amigos de Jesus ainda estão lá, com os olhos fixos no céu, onde Jesus desapareceu. Os anjos convidam-nos a começar logo a missão deles sobre a terra. Agora é a vez deles. O tempo da Igreja, o nosso tempo, começou. Mas não serão homens como os outros: caminharão sempre como estando à beira do paraíso, direcionando-se dentro da nostalgia dos céus. Para fazer nascer o céu sobre a terra e no coração de quem os ouve.

P- Quando, ouvindo a vossa palavra, somos maiores que o pecado que quer morar em nós –

T- Também nós, Senhor, subimos em direção ao céu.

P- Quando, ouvindo a vossa palavra, vencemos a cólera e as divisões –

T- Também nós, Senhor, subimos em direção ao céu.

P- Quando, ouvindo a vossa palavra, sentimos o desejo de agir como Vós –

T- Também nós, Senhor, subimos em direção ao céu.

P- Décima Terceira Estação

– A espera do Espírito

L1- Dos atos dos Apóstolos (At 1,12-14)

Desceram, então, do monte chamado das Oliveiras, situado perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado, e foram para Jerusalém. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, no lugar onde se encontravam habitualmente.

Estavam lá: Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelota, e Judas, filho de Tiago.

E todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus.

L2- Há uma presença discreta, mas constante na vida de Jesus: a de Maria, sua mãe. Ela o cuidou e vigiou quando era pequeno; o acompanhou em sua vida peregrinante. Estava em Caná, quando Jesus fez o primeiro milagre, esteve aos pés da cruz… 

Em todos os grandes momentos da vida de Jesus, Maria esteve presente, como primeira testemunha da realização das promessas de Deus. Jesus confia-Lhe os seus amigos. Confia-os como filhos. Assim Maria continua a ser mãe. Continua a cuidar dos amigos de Jesus. Para sempre.

P- Ajuda-nos a abandonar a nossa vida em Deus, para que se faça em nós a sua palavra.

T- A ti fomos confiados, Mãe de Deus.

P- Ensina-nos a descobrir, cada dia, as maravilhas que Deus opera em nós e no universo.

T- A ti fomos confiados, Mãe de Deus.

P- Ensina-nos a contemplar o mistério de Deus e a meditá-lo no nosso coração.

T- A ti fomos confiados, Mãe de Deus.

P- Décima Quarta Estação

– O Espírito prometido

 L1- Dos atos dos Apóstolos (At 2,1-6)

 Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam. Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem. Ora, residiam em Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua.

L2- É difícil vencer o medo. Ainda na manhã de Pentecostes, os habitantes de Jerusalém estão com os olhos esbugalhados. Os amigos de Jesus, aqueles que se escondiam, percorrem as ruas da cidade, se dirigem aos passantes em alta voz, como que para comunicar-lhes uma notícia importante. Há́ neles uma nova forca. Como uma chama que dispersa os medos da noite, como brasas que amolecem o ferro, como um fogo que toca de leve com carícias de calor o corpo frio; como uma flecha de luz, que ilumina o caminho. O Espírito do Senhor veio e deixou neles a Sua marca. Tudo se esclarece. A missão deles é difundir por toda a terra o amor que Jesus veio semear. Há́ neles, como que, um novo fogo, do qual nunca haviam sentido o calor: ardem do mesmo fogo de Deus.

P- Quando temos as mãos fechadas e o coração árido – 

T- Vinde Espírito Santo.

P- Quando tudo parecer sufocar-se no hábito e no tédio – 

T- Vinde Espírito Santo.

P- Quando o temor e desencorajamento nos ameaçam – 

T- Vinde Espírito Santo.

Conclusão

L1- Cristo Ressuscitou – Está Vivo. Que este caminho que fizemos com Jesus e os discípulos, nos ajude a deixar que esta Boa Notícia  invada e preencha o nosso coração. Que ilumine a nossa vida de Luz, Amor e Esperança. E que possamos, especialmente, neste tempo, ser faróis que irradiam a Luz de Cristo Vivo e Ressuscitado àqueles que estão à nossa volta. 

L2- Voltaremos a encontrar-nos próximo Domingo, às 21h00 na Missa transmitida aqui da capela co DUFC, e próxima terça-feira teremos novamente Pray with us, às 20h30, como habitualmente. 

Cântico Final – Ressuscitou

Na sua dor os homens encontraram

Uma pura semente de alegria,

O segredo da vida e da esperança:

Ressuscitou o Senhor!

Ressuscitou, Ressuscitou,

Ressuscitou, Aleluia! (bis)

Texto Adaptado de

BRUNO FERRERO

AS ESTAÇÕES DA RESSURREIÇÃO VIA LUCIS (CAMINHO DA LUZ) EDITORA ELLE DI CI

Título Original:

LE STAZIONI DELLA RISURREZIONE – Via Lucis

© 1993 Editrice Elle Di Ci – 10096 Leumann – Turim, Itália ISBN 88-01-1-252-6

Tradução: Massimiliano Caso Baraldi

Copidesque: Oberdan Sisdelli

Capa: Adriana Netto

Revisão: Cristina Kapor

Coord. Editorial: Gilmar Corazza

 Citações bíblicas: conforme A Bíblia de Jerusalém,

PAULUS Editora, São Paulo

EDITORA SALESIANA DOM BOSCO

Rua Dom Bosco, 441 – 03105-020 – – São Paulo – SP Fone: (011) 277-3211 – Fax: (011) 279-0329

Telex: (011) 32 431 ESPS BR

e-mail: < sdbmooca@salesianos.org.br >

Em: http://www.vialucis.org/images/pdf/por-Via-Lucis—Comunit.pdf